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23 abril 2007

Conselheiro D'Homem



«Saudações comunidade colhão!
venho por este meio tirar umas certas dúvidas d' homem. mas em primeiro lugar deixem me congratular a vossa iniciativa pk é de veras muito importante haver informação para os catraios k se kerem transformar em homens. A minha primeira quetão é a seguite: snooker é jogo d'homem? ou homem k é homem só mete bolas com a mulher? outra questão: quando o homem pede uma super bock deve pedir de k tamanho? mini, média ou grande?
Mais uma coisa será k podem explicar a um conhecido meu o k é um acto de macheza? é k este conhecido meu é um rabeta do maior k há aí. é k ele diz k é extremamente macho dar o cu por um amigo! Eu e os meus compadres já lhe explicámos k não é. Ja fizémos um enorme escarcel e uma enorme zaragata mas ele não quer mudar a sua tese.
Fico a aguardar as vossas respostas, mas entretanto fico a mandar uns valentes peidos e uns valentes arrotos enkuanto como umas fanase bebo umas cervejas
»

Manel Ronaldo



Caro Manel,
Antes de mais, agradeço-lhe a sua pergunta, apesar da falta de assiduidade dos machos aqui no tasco.
A nossa missiva é, de facto, ensinar todos os homens e mulheres, meninos e meninas, e especialmente esses panhonhas metrossexuais a ser homens (ou d'homem), tal como os havia antigamente.

O snooker ou bilhar são geralmente considerados jogos de cavalheiros, não necessáriamente de homem. No entanto não são declaradamente bixas, portanto os homens podem jogar, especialmente se for a dinheiro e se acabar em zaragata. Para além disso, são necessários homens a sério para deslocar as mesas. Já experimentou pegar numa? Pois...

O tipo de garrafa que um individuo pede, nem sempre define o seu diâmetro de testículo. No entanto, acho suspeito o facto de não referir o fino no seu texto. Também depende da situação em que se encontra. Se for de tarde, ao sol, uma mini é uma boa escolha porque vai mais depressa, não tendo tempo para morrer ou aquecer; no entanto, garrafas maiores e canecas, são boas em refeições ou em ambientes mais frescos. Um fino bebe-se em qualquer altura e é fácil de pedir apesar de só ser de macho pedir finos no norte de portugal, pois à medida que se desce para sul, a quantidade de estrogénio aumenta e o nome é adulterado para imperial.

O seu amigo provavelmente é gay. Se você não lhe consegue demontrar um acto de macheza, para lá caminha, ou então anda a ler pouco este blog.
Certos teóricos (um pouco abixanados e chorões) dizem que dar o cu por um amigo é bom (uma boa acção, diga-se) e referem uma série de razões para tal. No entanto, apesar de haver alguns individuos que embrulham salames fora do talho e têm certas atitudes de macho, se determinado indivíduo não o for e der o seu traseiro (no sentido literal) por um amigo, a sua masculinidade desce consideravelmente.
Se for "dar o traseiro" no sentido de sacrifício que de facto não inclua penetração anal, pode ser considerado másculo, especialmente devido ao factor coragem.

Aprenda e volte sempre

15 abril 2007

13 janeiro 2007

Feira, Foda-se!


Compi, um devoto fã do D'Homem, rega aqui a horta da sabedoria
masculina com esta pérola. Lede e aprendei, porcas.


Feira, Foda-se!


Boa tarde, bom dia ou boa noite, conforme a hora em que esteja a ler este texto. Começo desde já com esta infame frase, celebrizada pelo Cantiflas Português numa qualquer das suas cassetes de anedotas.
E começo assim porque podia começar de muitas formas a minha estreia no D'Homem, mas visto vir-vos falar de um tema tão tradicional como este o é, achei de bom tom citar uma das autoridades na verborreia anedótica portuguesa, qual bispo a fazer referência à sagrada escritura num dos seus sermões.
E venho falar-vos de quê? De uma nobre profissão, feirante. Rija e espumante de testosterona, não poderia ser melhor observada do que com uma reportagem no local, e por isso infiltrei-me, tomando o lugar de um rijo comerciante no ganha pão de todos os dias.


1- Chegar à feira, montar a barraca.

Começa a aventura ainda o cabrão do galo não lavou a remela. O feirante também não, mas ainda assim, às 4 da matina, já está dentro da carrinha pronto para ir trabalhar.
A viagem para o local onde se realiza a feira é calma e decorre sem problemas. As estradas estão vazias, a carrinha feirante apenas se cruza com o padeiro a sair de casa de uma "cliente". Tem de ser... A vida custa a ganhar!
Ainda assim a viagem demora mais tempo do que previsto porque a carrinha da feira vai cheia de entulho: na parte de trás, "a obra", ou seja, o artigo para vender (neste caso, sapatos); em cima da carrinha vai a barraca: ferros e mais ferros, grades de madeira cheias de farpas para fazer de mesa e o toldo; à frente, com o condutor vai um monte de tralha sortida: pregos, alicates, canivetes, marcadores, lixo, emblemas do clube da bola são alguns dos itens mais frequêntes.
Chegado ao local de trabalho o feirante inicia um ritual matinal extremamente importante ao qual da o nome de: "decarregar as merdas todas p'ra fora da carrinha". Sobe acima do veículo e desamarra os ferros, atirando-os para o chão com estrondo. Muito importante também é o primeiro ressabianço do dia, que normalmente se dá quando o feirante repara que trouxe o toldo errado. A escolha do toldo é complexa: toldos de lona são mais frescos mas não protejem da chuva; toldos de plástico protejem mas são muito quentes e pesados como o caralho. A escolha depende de diversas variáveis: chuva, humidade, vento, pressão atmosférica... Como podem ver é uma ciência subtil, daí que o feirante normalmente erre na aposta.
Depois de aquecer o peito por causa dos "filhos da puta do tempo, mentirosos do caralho" prossegue a tarefa de descarregar a obra e montar a barraca e expor o artigo de maneira a que seja apelativa para o público, ou seja, tudo a monte, dando um ar convidativo. Esta é outra tarefa complexa. Há duas escolas de pensamento no comércio feirante, uma que diz que o segredo para vender esta na geografia (localização da barraca, disposição do calçado) e a outra que diz que está no pregão. Embora o pregão tenha caído em desuso nos anos 90 hoje em dia é aceite que ambas se complementam. Muito mais poderia ser dito aqui, mas falta paciência e interesse.
Com a barraca montada vem a refeição mais importante do dia: a sandes de vitela assada e o copo de vinho.


2- Parte da Manhã

Quando começa a a chegar a clientela já o sol está a nascer. Nesta fase do dia não há muito a dizer. É a fase mais conhecida do trabalho de feira e a maior parte dos meus leitores já assistiu: chega o cliente, escolhe o calçado desarrumando a banca ainda mais, experimenta, fode a cabeça ao vendedor e depois, normalmente, não compra nada.
Uma coisa que se via também muito nos tempos de ouro da feira era o vendedor ajudar o cliente a calçar o sapato e a apertar aqui e ali a ver se está bem. Uma bela tradição que se perdeu devido ao chulé. Hoje em dia se o cliente quer experimentar, pega e calça-se sozinho.
Mas nem tudo são tradições perdidas, pois, como já disse acima, o pregão está hoje em dia a voltar. É o aspecto mais carismático da feira, dá vida e alegria (a par da barraca das cassetes com a musica do Quim Barreiros) e pôe um sorriso na cara do cliente. Um feirante é barulhento, arrota e peida alto, berra sempre que tem de falar e leva alegria ao povo com os pregões.
Temos o primeiro tipo, mais comum: "é três cem, é três cem", ou qualquer coisa que ande à volta do mesmo, ou seja o preço do produto.
Temos também o pregão jocoso que é o mais original e que mais muda. Alguns exemplos:
- (referindo-se ao artigo) "Foi uma fabrica que ardeu, o patrão morreu e quem ficou com a patroa fui eu!";
- "Quem comprar hoje recebe uma viagem grátis a Fátima a pé!";
- "Compre um e leve o do outro pé de graça!";
- "Oferecemos uma viagem grátis ao Lá'vai!";
- "Estamos a dar, estamos a dar....... à língua...";
Como terceiro tipo temos aqueles que não se referem ao producto mas são berrados com a mesma intensidade, às vezes bocas entre os feirantes, outras vezes simples frases populares:
- "Rijo, rijo, é o tesão do mijo!";
- (cantado) "Ai ai ai ai, quem escorrega também cai!"
- "Fia-te na Virgem e não abras o olho, que depois comes do sono...";

E não há muito mais a dizer. Uma eventual bulha, ou uma disputa qualquer com ciganos que normalmente termina com o feirante a correr atrás deles de marreta na mão.



3- Almoço

Normalmente as feiras têm parte da manhã e parte da tarde divididas por uma altura com pouca clientela em que os feirantes vão comer por turnos e olham pelas barracas uns dos outros. Antigamente também costumava haver uma mulher ou duas (feirantes) que cozinhavam para todos mas isso perdeu-se porque dava um trabalho do caralho e é fodido andar com mais tralha atrás.
Assim, grupos de feirantes partem em peregrinação até ao tasco mais badalhoco. Entram, lavam as mãos sujando o lavatório todo, limpam as mão à camisa sujando-as outra vez e sentam-se à mesa.
Chega a empregada que normalmente é a filha do dono do tasco, os feirantes pedem o prato do dia e apalpam a febra. Come-se e discute-se a bola. Acabado o almoço há feirantes que voltam para o trabalho e outros que ficam o resto da tarde no tasco a enfrascar e a andar à bulha.



4- Parte da Tarde

Mais uma vez, faz-se o mesmo que de manhã. A parte da tarde costuma ser mais sossegada. Quando é assim, alguns feirantes dormem uma soneca na carrinha, outros aproveitam para continuar a discussão da bola. O mulherio vai para dar uma volta pela feira. Sim, é verdade, os feirantes são clientes uns dos outros. Normalmente, como a confiança é muita, até se fazem descontos e se deixa comprar fiado.
Aproveito a deixa da confiança para falar de outro factor pouco discutido e que representa um ponto fulcral na feira. Como é que os feirantes se referem uns aos outros? Seria impossível haver uma discussão sem os feirantes saberem identificar quem disse o quê.
Normalmente usam-se alcunhas ou apelidos para identificar a pessoa mais conhecida ou importante da família, ou pelo menos uma que a pessoa com que falamos consiga identificar. por exemplo:
- Olha, diz o Tónio que o Pinto da Costa é um filho da puta!
- Que Tónio?
- O Tónio Latoeiro!
- AH! Ele que vá levar no cu!

Reparem que foi aqui usado o primeiro nome, "Tónio" como identificação primária. Como o segundo interveniente não consegiu identificar à partida usou-se o segundo indetificador "Latoeiro", referindo-se à profissão do pai ou avô. Muitas vezes esta associação faz-se ligando os dois identificadores de forma possessiva: "a Maria do Zé Garrote".



5- Ir embora

E chegados ao fim do dia, os feirantes vão embora. Iniciam outro ritual chamado "meter as merdas todas outra vez na puta da carrinha" que, como o próprio nome indica, consiste em meter as merdas todas outra vez na puta da carrinha.
Enquanto isto acontece, a cachopada (filhos de feirantes) brinca com as caixas de sapatos vazias amontoadas a um canto, mergulhando no meio destas. Outros jogam com uma bola feita de tecido enrolado, ou mesmo uma qualquer caixa de sapatos.
QUando a barraca está desmontada e pronta pa partir o feirante conta o dinheiro, arrasta os putos pela orelha pa dentro da carrinha e faz-se à vida, que amanhã há outra feira.

Aprendei!

 Como ele disse, aprendei.

30 novembro 2006

Psicologia D'Homem: Canalha Hiper-activa

Antes demais devo desambiguar o título. Sabemos que psicologia não é coisa d'homem, pelo menos não no sentido convencional da palavra. Homem que é homem não é psicólogo, mas aplica uma certa psicologia em tudo o que faz, sem ter tirado um curso para isso.

O assunto que nos traz aqui hoje é o facto de haver canalha hiper-activa.
O tanas.

Antes de começar a disparatar, cara mãe que possa estar a ler isto e acha que a sua filhinha é hiper-activa, cale-se e vá fazer o jantar. Se não é mãe e quer disparatar, cale-se na mesma, e vá lavar a roupa. Se não é mulher e está para aí a espingardar, vá já ao seu médico, os seus testículos estão a definhar.

Não há canalha hiper-activa. O d'homem perdeu tempo precioso de entornar cerveja para assistir ao "documentário" da TVI sobre este assunto e só ganhou novas certezas.
Se também assistiu ao documentário há de recordar algumas referências que vou fazer.

No meu tempo (e antes do meu tempo, caso não me tenha feito entender) não havia nada disto.
Se interrompia o meu velhote, se me punha a saltar pela casa, se sequer lhe virava a cara quando falava para mim (ou para outra pessoa qualquer), o meu destino estava traçado. Para além de me chegar a roupa ao pêlo, era bem capaz de me mandar limpar o celeiro e viver lá enquanto não estivesse arrumado.
Na escola, se fazia o que quer que seja que não fosse olhar para a frente, ler ou escrever, levava, no mínimo, cinco reguadas, em cada mão.
Fora daí, ninguem parecia mais hiper-activo que os outros por correr mais depressa ou parecer chanfrado (geralmente é o que acontece com a canalha, parecerem maluquinhos quando brincam).

Ninguém conhece nenhum adulto hiper-activo. Porquê? Porque a maioria dos adultos de hoje, teve a sua infância antes de 1974, logo teve uma educação, e bastante porrada (e não são necessariamente mais violentos que todas as outras gerações, antes ou depois).

Hoje em dia, os pais tratam a canalha por você e pedem por favor para não interromper. Isto é falta de educação. A canalha é que deve tratar os velhos por você e pedir por favor para falar, quando toda a gente estiver calada (e baixa a bolinha se lhe dizem que não).
Francamente, havia imagens de uma mãe a passar a ferro e tinha o puto sentado no sofá, parado. A dada altura ela diz «Não podes fazer barulho nem bater com as panelas» (relembro que o puto estava quieto). Claro que o puto começou a bater com as panelas e a fazer um chiqueiral dos diabos. Que é que a mãe fez? Nada. Coitadinho, é hiper-activo, ele nem estava quieto nem nada antes da mãe lhe ter dito que bater com panelas faz barulho. Isto não é hiper-actividade, é desobediência qualificada. Medicamento: um par de chapadas (em caso de dúvida consulte o seu pai ou marido, pode ter que aumentar a dose a curto praso).

Havia, no documentário, cenas de pura birra. Todos os fedelhos fazem birra, mas só os que não levam um safanão continuam a fazer.

Quão grande deverá ser o défice de testosterona para um pai pensar em dar pastilhas ao filho em vez de lhe dar com a palmatória? Onde está a pedagogia? O aprender com a dor? Se um puto falta ao respeito do pai, este dá-lhe um comprimido? Se funcionou desde que há gente no planeta, porque não há de funcionar agora?










Caro pai, encarregado de educação, ou o que quiser ser chamado, os comprimidos não vão educar o seu filho... não o vão ensinar a ser um homem, não o vão ensinar a vencer na vida, a ganhar na porrada ou em qualquer outra coisa. O seu filho vai passar a recorrer a quimicos sempre que não souber o que fazer e depois acaba um falhado e um drogado.
Se por acaso tiver problemas com violência física, não seja tão duro, considere isto apenas educação activa.

Aprendei.

27 outubro 2006

Transporte D'Homem: Carro de Bois

No principio era o caos.

Depois apareceram coisas, de entre elas o ser humano.

O ser humano tinha a particularidade de ter barba, barriga e ser d'Homem. Pelo menos alguns dos seres humanos...

Desde cedo, necessidades de transporte foram notadas pelo homem, que teve de se desenrascar da melhor maneira possivel.

Às costas, pelo chão, nas costas da mulher, nas costas da canalha ou nas costas dum mamute, a bicharada morta, as peles e os paus eram transportados dum lado para o outro, conforme dava na cabeça do homem.

Com o passar do tempo, as técnicas de transporte foram mudando, começou-se a usar o gado para transporte, a mulher passou a ficar mais tempo em casa a tratar da canalha e consequentemente a ficar mais gorda.

O auge da evoluçao e da masculinidade do transporte de cargas e pessoas é, claramente, o carro de bois.





O carro de bois é formado por uma serie de peças, com nomes que lembram o campo e remetem para o povo rude que os inventou.

É formado por um tabuleiro horizontal que se chama "chedeiro", que termina onde começa a "cabeçalha", onde sao atrelados os bois. As rodas do carro são compostas por um "meão" (que, adivinhou, fica no meio) que entra em contacto com o eixo do carro, um eixo e duas "cambas".Os eixos das rodas seguram o tabuleiro tendo como ponto de contacto uma parte do eixo chamada cantadeira que encaixa no chumaço do tabuleiro.

Há mais uma data de peças de importância menor mas com nomes como "óculos das rodas", "chaveia", "romãs", "gatos", "reias", etc.



A principal característica do carro de bois, a seguir aos bois, é o som característico que emite quando se desloca.

Dir-se-há que o carro de bois é um prelúdio do tuning, os carros eram feitos para chiar o mais alto possivel, mas em alternativa a velocidade era quase nula.

Claramente que o carro de bois é d'homem e tuning não devido ao contexto em que se aplica, à antiguidade, ao facto de ser feito de madeira e nao ter cores feias nem desenhos manhosos, à musica que dele provém (num carro de bois cantam-se belas melodias sobre amor, trabalho e outros factos importantes da vida dum homem rijo), e até da própria indumentária trasportada pelo condutor e passageiros.

A própria maneira como se conduz exige um saco bem recheado. Todas as chibatadas, "hou"s, insultos e elogios aos animais exigem uma técnica específica que não se ganha em 30 aulas monitorizadas.

De notar também que os resíduos libertados pelos carros de bois podem ser reaproveitados, enquanto que monoxido de carbono só serve para morrer. A bosta libertada pelos bichos serve para tapar o forno do pão, a urina serve para ... pronto essa não serve para nada... e os próprios bois servem de alimento em alturas mais difíceis.

Aproveito para ter um momento de saudade e lembrar-me de quando ainda se ouvia o coro de carros de bois, cada um no seu caminho, espalhados pelos montes em redor de Aboím das Choças, aquelas alturas em que já sabiamos que tinhamos de parar de jogar à bola na estrada com meia hora de antecedência.

Agora, quanto muito ouço o zumbir das Famel (o que não deixa de ser d'homem, mas nao se compara).

Vós,jovens citadinos, que nunca sentireis o vosso volume testicular aumentar como nas alturas em que o carro fica atolado na lama e todos têm que sair e ajudar os bichos a tirá-lo do sitio, que nunca sentirão os ouvidos ressoar da chiadeira, que nunca sentirão o conforto proveniente das ordens do Zé da Eira aos bois, tremei na vossa ignorância e aprendei.

22 outubro 2006

Transportes Públicos - Autocarro



Para o traunseunte comum, a simples palavra "autocarro" traz à lembrança situações de desconforto, desde a espera até ao final da viagem. Para a comunidade colhão, no entanto, este transporte colectivo é todo um mundo de idiossincrasias extremamente bem delineadas.

A espera
Principalmente para as Micas/Tinas/Ginas, a espera é das etapas da viagem com mais relevo. É aqui que, por observação e escuta, se faz a colecta de informação que vai servir de tema de conversa com a companheira de viagem, tema esse que pode ir desde o comprimento rés-vés campo de ourique da saia que a filha da Humberta Redonda usa hoje, até ao herégico aspecto jovem de calças pretas e Doc Martens encostado no canto da paragem. Não esquecer que o tempo de espera pelo autocarro é sempre motivo de discussão, mesmo que se tenha vindo a correr e ele espere (porque nesse caso chegou cedo demais). Tradições não se quebram.

O cheiro
O cheiro a sovaco, sexo e patchouli, tão repudiado pelo comum mortal, é para o Homem como que um verdadeiro roteiro gastronómico, uma tábua de queijos (note-se o fantástico trocadilho com o cheiro a queijo) a ser degustada e, obviamente, comentada. Comentada, claro está, de preferência a todo o autocarro. O cheiro de um homem revela a outro tudo aquilo que fez desde a última vez que tomou banho, o que em média dá um relato de duas ou três semanas. Na realidade, aquilo que a corja pseudo-intelectual de classe média e alta chama falta de higiene, é na realidade material sujeito constantemente a um estudo sociológico intenso por parte dos machos dominantes.

De notar que a apreciação do fedor pode perfeitamente ser usada pela Gina do Boeiro para sacar a receita de Sarapatel à Gena Pantalona, discernindo, na rica palete de odores que exala desta última, não só os ingredientes, como as quantidades dos mesmos, o calor de cozedura e o material dos tachos. Em alguns casos, pode mesmo aventar se o gás usado era butano, ou propano.

As brigas
O ponto alto das viagens acontece quando há briga. Note-se que briga em autocarro não conduz a molho, é apenas mais uma convenção. A prioridade da briga reserva-se aos passageiros mais idosos, devendo estes dar sinal de passividade aos restantes caso permitam que o teatro seja realizado por gerações mais jovens. É também tradição os dois principais activos no "duelo" se encontrarem a mais de 6 lugares de distância.

Um tema recorrente é o clássico Heupleuritschiano de amigo/inimigo (ao qual recorrem mais frequentemente as mulheres). Este argumento inicia-se geralmente com um partido que ataca o motorista, acusando-o de conduzir mal, ter chegado atradaso, não ter aberto a porta, ou mesmo da subida do preço do ouro. O assunto não interessa, pois logo surge o partido oposto, pró-motorista, que alega a coitadidade e inocência deste. O papel do motorista passa na maior parte das vezes por ignorar tudo o que se passa, se bem que, quando a audiência abunda, é de bom tom este levantar-se, sem ter ainda parado o autocarro, e vir espingardar para a retaguarda.

Outro assunto de grande interesse, devido a que é uma tradição recentemente instalada, é a de mandar vir com o palhaço de madeixas descoloradas, brincos e boné que se senta a viagem toda a experimentar todos os toques do telemóvel novo, com o volume no máximo.

Para os curiosos, note-se que é possível saber quando terminaram as hostilidades assim que mais de metade da população do autocarro tiver expresso a sua opinião, que não deve divergir muito do "é a vida", ou até algo mais loquás como "pois é, e é assim".


Mais, talvez, noutro artigo. Até lá, aprendei, pétalas de rosa.

18 outubro 2006

Preocupações

Noutro dia, ao inquirir um grupo de caloiros acerca de expressões de homem, o máximo que conseguiram descortinar foi "Ó mulher, põe a mesa". E piora: ao pedir às fêmeas presentes expressões d'homem de mulher surgiu, para certo espanto do leitor, "Tu também trabalhas!" (mesmo depois de eu ter exemplificado o clássico "O blá, tásolhare?? Tenho o puito na testá??", acompanhado do gesto associado). Dói cá dentro.

Tal heresia inspirou-me para escrever uma historinha, que reza o seguinte:

Era uma vez um tempo em que, quando a canalhada se armava ao pingarelho em frente ao Sr. Professor, este lhe enfiava semelhante reguada pelas costas abaixo que o fedelho nunca mais o esquecia. E em aparecendo em casa com a marca resultante, severo era o agravamento das chagas pois os pais, cientes que a miudagem precisa é de ser ensinada, prontamente o admoestariam a dobrar. FIM.


Gostaram? Bons tempos, em que quando se respodia torto era logo um "Que tás aí a espingardar?" seguido de um par de chapadas de mão cheia. Infelizmente, esses tempos não passam hoje de histórias da carochinha. Agora, a chavalada faz o que lhes dá na telha e passa impune. E depois é o que se vê, acabou a cultura d'homem.

Gosto de quando culpam os jogos de computador pela violência registada na juventude. No tempo do meu avô, tinha-se 10 anos e já se andava a degolar pito vivo. Degolar, porque esfolar e cozinhar, tá quieto ó Tone, as catraias que façam.

Hoje, não se deixa cantar o «Atirei o pau ao gato» (que clássico!) porque é considerado um poema de elevada carga psicológica, não se come peixe porque tem espinhas e o menino pode cortar o ceuzinho da boca (já que se anda a criar larilolés, que se lhes faça a boca suave para felácio sem sobressaltos), e não se pode esmerdar a miudagem sem haver um processo-crime contra o bem-intencionado santo que só queria era dar educação.

Ora, tanto quanto sei, no tempo do meu avô não andava fedelhada a atirar cadeiras aos professores nas aulas. Nota-se um padrão. Aos leitores do D'Homem, deixo um manifesto: não é tarde demais, se é que me estão a entender. É tudo para o bem da criança.